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Idiomas e Intercâmbios

As variações do francês ao redor do mundo

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As variações do francês ao redor do mundo

Sabia que o francês é a língua oficial em 30 países, além de ser falado em todos os continentes do mundo? E se dentro da própria França já existem algumas diferenças regionais na pronúncia e no jeito de usar o idioma, imagine o que acontece no restante do planeta!

 

Francês da Bélgica: os belgicismes

De longe, o francês belga se parece muito com o da França, principalmente quando comparado a variações como as do Canadá ou da África. No entanto, a verdade é que existem, sim, um bocado de peculiaridades da terra dos waffles (ou gaufres, como são chamados esses doces lá!), principalmente por influência de outros idiomas oficiais do país.

Veja alguns dos belgicismes mais frequentes e suas traduções no francês padrão (ou standard):

- jatte (de lait ou de café, por exemplo): xícara, ou tasse em francês standard;

- dringuelle: gorjeta, ou pourboire na França;

- aller à la cour: ir ao banheiro, ou, na França, aller aux toilettes;

- goûter: que na França significa experimentar ou provar, mas na Bélgica quer dizer gostar ou agradar, usado da mesma maneira que plaire em francês standard;

- baraque à frites: trailer que vende batata frita, sem equivalente na França.

Francês da Suíça: os helvétismes

Outra nação fruto da união de diversas culturas, a Suíça tem nada menos que quatro línguas oficiais: o francês, o italiano, o alemão e o romanche, uma língua parente do português e do francês, falada apenas nessa região da Europa.

Também chamado de suíço romando, o francês que se fala por quase 23% da população no país do chocolate é caracterizado principalmente pela influência de idiomas germânicos, além do franco-provençal, outra que se fala apenas em algumas áreas entre França e Itália.

Confuso? Não precisa se preocupar, porque fora alguns detalhes fáceis de assimilar, o francês suíço não é assim tão diferente do standard. Algumas de suas particularidades são:

- usa-se merci e adieu para dizer bonjour e au revoir;

- uso dos números septante, huitante e nonante no lugar de soixante-dix, quatre-vingt e quatre-vingt-dix;

- e palavras vindas do alemão, como schlouk para dizer gorgée (gole) ou witz no lugar de blague (piada).

Francês do Quebeque: o québécois

Uma curiosidade sobre o francês falado na região do Quebeque, no Canadá, é o fato de que sua pronúncia, em tese, é a mesma que era usada na França antes da Revolução, em 1789, acredita?

Isso porque até o século XIX, havia no Velho Continente duas formas de se falar francês: uma, chamada de bel usage, do dia a dia, e outra, chamada de grand usage, falada apenas nos discursos, declamações, no teatro, etc.

Acontece que, depois da Revolução, quando a França já tinha perdido para os ingleses o domínio sobre o Canadá (a Nouvelle France, como era chamada a colônia), o grand usage passou a substituir o bel usage no uso cotidiano da língua, e aí os quebequenses, isolados, ficaram usando a pronúncia antiga (bel usage) até o século XX.

Além dos anos de falta de contato com a França, a presença constante do inglês ao redor de toda a área também influenciou bastante o québécois, e algumas de suas palavras próprias mais interessantes são:

- char, que na França é voiture, ou seja, carro;

- bienvenue (como em inglês you’re welcome), no lugar de de rien (de nada);

- fin de semaine no lugar do week-end usado na França;

 - caller (do inglês call) no lugar de téléphoner;

 - e chum para petit-ami (namorado) ou blonde para petite-amie (namorada).

Francês da África: riqueza de variações

Você sabia que dos 29 países em que o francês é a língua oficial ou co-oficial, 21 deles se encontram no continente africano? Estima-se que pelo menos um terço da África seja francófona, e diante da variedade de culturas e línguas nativas desse continente e da longa história de colonização, não é de se estranhar que a variedade de usos do francês também seja grande, não é?

Anote aí algumas expressões únicas do francês falado na África e seus países de origem:

- caillou, que em francês standard significa pedregulho, em Burquina Faso também é usado como sinônimo de dur ou duro (oposto de fácil);

- cadonner, verbo do Chade que quer dizer offrir un cadeau (presentear);

- camembérer, do queijo Camembert, que quer dizer puer des pieds no Senegal, ou seja, estar com chulé;

- avoir la bouche sûcrée, literalmente “ter a boca açucarada”, que no Benim quer dizer falar demais, ou être bavard, em francês standard;

- e palabre, termo que significa, na Costa do Marfim e em boa parte da África, discussão, tanto no sentido de debate (débat) como de briga (querelle).

 

Como aprender as variações do francês?

Você não precisa fazer uma aula voltada só para elas, viu? Afinal, apesar de serem variações do francês, elas têm as mesmas regras e lógica do standard, pois continuam sendo o mesmo idioma.

Ainda assim, para ir assimilando as diferenças de léxico, expressões e pronúncia, vale ficar de olho na mídia desses países, principalmente naquelas com recursos audiovisuais, em que você tem acesso à fala e, muitas vezes, também à cultura da região.